Como ajudar cães e gatos a viver uma vida mais saudável.

Cuidados com seu gato após a hospitalização

Para os gatos, o ambiente não familiar das clínicas veterinárias pode parecer ameaçador, principalmente se estiverem doentes. A confiança e tranquilidade passadas pelo tutor são fundamentais para minimizar a ansiedade do gato e fazê-lo se sentir mais seguro. Trouxemos algumas dicas de como deixar o gato mais tranquilo e confiante na ida ao veterinário, e cuidados de enfermagem que o tutor pode adotar em casa para promover o bem-estar na recuperação de doenças ou ferimentos após a hospitalização.

Como preparar o gato para uma visita ao médico-veterinário

Peça dicas ao médico-veterinário ou consulte nossas dicas sobre como adaptar seu gato à caixa de transporte e como minimizar o estresse durante o transporte. Utilizar feromônio felino sintético em spray na caixa de transporte e no carro no mínimo 30 minutos antes pode ajudar a acalmá-lo. Coloque brinquedos ou cobertores confortáveis e com odores familiares na caixa de transporte para que o gato se sinta mais seguro e tenha objetos conhecidos como referência. Leve os alimentos preferidos do seu gato para que você ou a equipe da clínica possam oferecer como recompensa ou para distraí-lo durante a consulta.

O papel do tutor durante as visitas ao médico-veterinário

Muitos tutores relatam que, além dos gatos, eles mesmos ficam ansiosos e estressados durante a visita ao médico-veterinário. Os gatos são capazes de sentir estas alterações de comportamento do tutor, o que pode aumentar o estresse do animal. Alguns gatos também ficam estressados com estímulos visuais, por isso cubra a parte de cima da caixa de transporte com uma toalha para obstruir a visão e abafar sons.

Ao entrar no consultório com seu gato, fale com ele calmamente, em voz baixa e tom moderado. Evite comportamentos que, embora feitos para confortá-lo, possam aumentar sua ansiedade. Sons humanos que visam acalmar ou tranquilizar (como “shhhh”) podem imitar o som de outro gato e soar ameaçador. Reforce os comportamentos positivos com carinhos ou alimentos favoritos. Ignore os comportamentos negativos ao invés de tentar corrigi-los. Não remova o gato da caixa de transporte até ser orientado por um membro da equipe veterinária.

Caso o gato precise ficar hospitalizado, leve brinquedos e cobertores de casa com os quais ele já está familiarizado. Informe o nome dos alimentos que seu gato está habituado a consumir. Mencione também coisas que ele gosta como brincadeiras e escovação, por exemplo. A equipe veterinária pode usar essas informações para ajudar seu gato a ficar mais tranquilo durante a estadia na clínica veterinária.

O papel da clínica veterinária

A equipe veterinária deve oferecer sugestões sobre as opções de tratamento mais adequadas para cada gato e validar a disponibilidade do tutor em administrá-las. Ela deve orientar o tutor sobre como os medicamentos devem ser administrados, demonstrando as melhores técnicas. O tutor deve estar ciente de todo o tratamento instituído, como será feito o acompanhamento e sinais de bem-estar que o gato demonstrará como indicativos de recuperação. Gatos que se sentem bem se lambem para fazer a auto-higienização, seguem uma rotina normal, interagem com o tutor, comem e fazem as eliminações regularmente.

O papel do tutor nos cuidados com o gato após a hospitalização

Fornecer cuidados em casa para o seu gato após a hospitalização pode parecer difícil à primeira vista, mas seja paciente e tenha certeza de que seus cuidados contribuirão para a recuperação dele. Algumas dicas podem ajudar o tutor a dar sequência no tratamento e recuperação do gato quando ele voltar para casa:

Peça à clínica veterinária para fornecer o máximo de informações possíveis por escrito, além de referências para recursos on-line, como vídeos. Não fique relutante em questionar a equipe veterinária em caso de dúvidas durante ou após a visita.

Em casa, identifique um espaço calmo, privado e com o qual o gato já está acostumado, com boa iluminação, onde você possa ter acesso ao seu gato com facilidade. Um espaço pequeno permite o monitoramento e oferece a ele uma sensação de segurança.

Defina uma rotina e horários que você tem disponibilidade para administrar os medicamentos orais ao seu gato. Evite utilizar alimentos como auxiliar para administrar medicamentos, pois isso pode causar aversão e reduzir a aceitação dos alimentos. Após a administração, ofereça reforço positivo como carinho, escovar o pelo ou alimentos preferidos.

Não retire seu gato à força de um lugar que ele esteja escondido, nem interrompa sua alimentação, auto-higienização ou eliminação para administrar medicamentos. Peça ao médico-veterinário qual é a melhor técnica para administrar o medicamento prescrito.

Utilizar comedouros e bebedouros rasos podem melhorar o acesso à água e ao alimento. Alimentos úmidos servidos a uma temperatura de 38° são mais atrativos do que se servidos gelados ou em temperatura ambiente. O alimento oferecido deve sempre ser fresco, servido em pequenas porções ao longo do dia.

Não perca nenhuma consulta de retorno ao médico-veterinário e converse com ele caso observe sinais ou mudanças no comportamento do seu gato, além de mudanças na ingestão de água ou alimentos, ou caso tenha dificuldade para administrar os medicamentos.

Fonte: CARNEY, H. C., LITTLE, S., BROWNLEE-TOMASSO, D., HARVEY, A. M., MATTOX, E., ROBERTSON, S. & OTHERS (2012) AAFP and ISFM Feline-Friendly Nursing Care Guidelines. Journal of Feline Medicine and Surgery 14, 337-349